sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Carta da Terra da sociedade civil, em 1997.

Durante o Fórum Rio +5 (Brasil), em março de 1997, no Rio de Janeiro, coordenado pelo Conselho da Terra, a sociedade civil criou uma carta de direitos ambientais, a ser aprovado pela ONU, no ano 2000.
O Conselho da Terra foi criado em San José - Costa Rica, e é uma organização internacional não governamental, decorrente da Cúpula do Rio para promover a implementação dos acordos estabelecidos durante a Rio 92.
Participaram desse Fórum milhares de Ongs e, segundo Maurice Strong, compartilham a preocupação fundamental de que o mundo não tenha conseguido progresso suficiente quanto a proposta do Rio: uma economia ambientalmente sustentável e socialmente equitativa.
Lembrando que, de 1992 a 1997, 103 governos estabeleceram instituições nacionais voltadas para a internalização dos conceitos de desenvolvimento sustentável na legislação e politica doméstica e que as Agendas 21 existem em quase 1.600 cidades e povoados do mundo.
Aqui vai a integra:

1 - respeitar a Terra e todas as manifesta~ções de vida, independente de seu valor utilitário para a humanidade.

2- Proteger e restaurar a saúde, integridade e beleza dos ecossistemas terrestres, incluindo a atmosfera, oceanos, fontes de água, solos, bosques, montanhas e diversidade de espécies.

3- Estabelecer a justiça e defender os direitos humanos de todas as pessoas, independente de sua raça, sexo, idade, religião ou classe social.

4- Viver de maneira sustentável e trabalhar em conjunto para conseguir comunidades sustentáveis. Integrar a conservação ambiental às atividades do desenvolvimento em todos os níveis.

5- Promover o desenvolvimento sustentável reduzindo a pobreza e fortalecendo as comunidades locais.

6- Compartilhar equitativamente os custos e benefícios do uso dos recursos naturais e a proteção ambiental entre nações, entre ricos e pobres, mulheres e homens e a geração presente e futura.

7- Estabilizar os níveis de crescimento populacional usando métodos voluntários e praticar a moderação no consumo.

8- Criar oportunidades para que todos os individuos e grupos participem na tomada de decisões que os afetam e estabelecer a transparência e a prestação de contas no exercicio do poder.

9- Praticar a paz. A guerra é por definição destruidora do desenvolvimento sustentável, da saúde ecológica e das conquistas das mais altas aspirações do bem-estar planetário.

10- Pensar e atuar com sentido de responsabilidade universal. Cada pessoa, instituição e governo tem uma responsabilidade comum na promoção do bem-estar planetário.

11- Aumentar e compartilhar o conhecimento científico sobre a biosfera terrestre e desenvolver, adotar e transferir tecnologias ambientais saudáveis.

12- Proporcionar de forma universal a educação para a paz, a justiça, a sustentabilidade e o cuidado da Terra.

13- Estabelecer preços de mercado e indicadores econômicos que reflitam os custos completos do aspecto ambiental e social da atividade humana.

14- Tratar todas as criaturas decentemente e protegê-las da crueldade, sofrimento e matanças desnecessárias.

15- Não causar prejuizo real ou potencial ao ambiente de outras pessoas.

16- Salvaguardar e restaurar as áreas naturais e culturais de clara importância estética, social, cientifica e espiritual.

17- Prevenir o dano ao ambiente espacial, incluindo a lua e outros celestes. O espaço deve ser explorado e usado com fins pacíficos e benéficos para todos os povos.

Bonito não?
Não tenho noticias do que ocorreu com esse documento.
Não sei se existem outros documentos de ONgs e da sociedade civil do genero?
Espero que não tenham sido palavras escritas, que não foram dadas a importância devida.

O não cumprido na Rio +5

Remexendo meus documentos mais antigos achei um recorte do Jornal Gazeta Mercantil, de 13 de março de 1997, com o titulo de "O prometido e o não cumprido". Resolvi colocar no meu blog para compartilhá-lo. Alguns avanços ocorreram, outros ainda estão no papel.
Ainda bem que as Ongs, a midia e as pessoas são os grandes protagonistas dessas mudanças.
Aqui vai a sistematização do jornal.


DOMENTOS
Agenda 21
Decidido na Rio-92: Lista de ações para contornar os problemas ambientais do século 21. Os principais pontos eram: atmosfera, energia, recursos hídricos, tecnologia e comércio internacional. Não tinha força de lei, mas os países ricos assumiram o compromisso de destinar 7% do seu PIB às nações em desenvolvimento.
O que foi aplicado (até 1997) - 80 países constituíram conselhos nacionais de desenvolvimento sustentável e cerca de 40 criaram sua própria Agenda 21. O Brasil não realizou nenhuma das duas tarefas.

Convenção da biodiversidade
decidido na Rio-92: Tratava da preservação das espécies animais e vegetais. Cada um dos 153 países que assinaram deveriam criar uma regulamentação própria para nortear o acesso à biodiversidade.
o que foi aplicado - Houve pouco avanço nas discussões sobre o acesso a recursos genéticos. O Brasil não criou regulamentação específica.

Convenção sobre mudanças climáticas -
decidido na Rio-92 - Criado para combater o efeito estufa, a convenção pretendia estabilizar a emissão de gases poluentes nos níveis de 1990. Não foram estabelecidos prazos e metas.
o que foi aplicado - Foi ratificada por 120 países. As nações desenvolvidas aumentaram as emissões de poluentes, com exceção da Alemanha e Inglaterra.

Declaração de princípios sobre florestas-
decidido na Rio-92: Um dos principais pontos de atrito entre países ricos e pobres durante a Rio-92. No fim, a declaração ressaltou o direito de exploração das florestas pelos países detentores, desde que de forma sustentável.
o que foi aplicado - Ganha força a idéia de transformar a declaração em convenção, com normas sobre comércio internacional e transferência de recursos e tecnologia. Os EUA não querem a convenção porque o mercado das madereiras americanas pode ser alterado. O Brasil defende a criação do documento que pode ocorrer em dois anos.

Declaração do Rio de janeiro -
decidido na Rio-92: Um documento genérico com 27 princípios para estabelecer uma parceria global pela causa ambiental. Declara que os “seres humanos estão no centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável”.
o que foi aplicado - A intenção é redigir um documento com o mesmo peso da Declaração dos Direitos Humanos. Os países participantes da Rio 92 e as organizações não governamentais argumentam que é difícil chegar a um consenso sobre princípios básicos.

É isso.
Como podemos observar várias propostas, após 1997, foram implementadas. No entanto, há muito caminho a ser percorrido. Infelizmente, sobre as mudanças climáticas os cenários não se mostram muito promissores. Vamos esperar. espero que eu esteja errada.

domingo, 27 de setembro de 2009

Limites do crescimento: continuação do capítulo 1

Só para esclarecer, estou reproduzindo "Limites do crescimento", com todos os parágrafos referenciados.
Para acompanhar, veja os números das páginas, pois, os mesmos estão na sequência.

Crescimento da população mundial



A curva de crescimento exponencial da população mostra que, em 1650, a população era de 0,5 bilhão e estava crescendo a uma taxa de aproximadamente 0,3% ao ano. Isso corresponde a um período de duplicação de quase 250 anos. Em 1970, a população totalizava 3,6 bilhões e a txa de crescimento era de 2,1% ao ano. O período de duplicação correspondente a esta taxa de crescimento é de 33 anos. Assim, não só a população vem crescendo exponencialmente, mas a taxa de crescimento também vem aumentando. Podemos dizer que o crescimento da população tem sido “super” exponencial; a curva da população esta subindo mais rapidamente do que o faria se o crescimento fosse estritamente exponencial (Meadows et al., 1972, p.31)
A estrutura do ciclo de realimentação que representa o comportamento dinâmico do crescimento da população é mostrado abaixo:



à esquerda está o ciclo positivo de realimentação responsável pelo crescimento exponencial observado. Em uma população com fertilidade média constante, quanto maior a população mais crianças nascerão a cada ano. Quanto mais crianças tanto maior a população no ano seguinte. Depois de uma pausa, para permitir que estas crianças cresçam e se tornem pais, ainda mais crianças nascerão, aumentando a população ainda mais. Um crescimento constante continuará enquanto a fertilidade permanecer constante. Se, por exemplo, além de filhos homens, cada mulher tiver em média duas filhas mulheres e cada uma delas crescer e tiver outras duas filhas, a população dobrará em cada geração. A taxa de crescimento dependerá tanto da fertilidade média quanto da duração da pausa entre as gerações. (Meadows et al., 1972, p.31)
É claro que a fertilidade não é necessariamente constante, e no cap.III discutiremos alguns dos fatores que a fazem variar. (Meadows et al., 1972, p.31-32)
Há um outro ciclo de realimentação que governa o crescimento da população, e que é visto à direita do diagrama acima. Trata-se do ciclo negativo de realimentação. Enquanto os ciclos positivos de realimentação causam um crescimento desenfreado, os ciclos negativos de realimentação tendem a regular o crescimento e a manter um sistema em uma condição de certo modo estável. Seu comportamento é muito parecido com o de um termostato que controla a temperatura de uma sala. Se a temperatura cai, o termostato ativa o sistema de aquecimento o qual faz a temperatura subir novamente. Quando a temperatura atinge o seu limite, o termostato desliga o sistema de aquecimento e a temperatura começa a cair. Num ciclo negativo de realimentação, uma alteração em um dos elementos propaga-se em torno do circulo até que ele venha mudar aquele elemento para a direção contrária à alteração inicial (Meadows et al., 1972, p.32)
O ciclo negativo de realimentação que controla a população baseia-se na média de mortalidade, que é um reflexo da saúde geral da população. O número de mortes por ano é igual à população total multiplicada pela média de mortalidade (a qual a gente pode considerar como sendo a probabilidade média de mortes em qualquer idade). O aumento de uma população com média constante de mortalidade resultará em maior numero de mortes por ano. Um aumento no numero de mortes diminuirá a população, e assim haverá menor número de mortes, no ano seguinte. Se em média, 5% da população morrem anualmente, haverá por ano 500 mortes numa população de 10.000 habitantes. Admitindo-se, por enquanto, que não haja nascimentos, restariam 9.500 pessoas no ano seguinte. Se a probabilidade de morte for ainda 5% haverá, somente, 475 mortes nesta população diminuída, restando 9.025 pessoas. No ano seguinte haverá sometne 452 mortes. Mais uma vez, ocorre um retardamento neste ciclo de realimentação, porque a taxa de mortalidade é uma função da idade média da população. Além disso, é claro que a mortalidade, mesmo numa determinada idade, não é necessariamente constante. (Meadows et al., 1972, p.32)
Se não ouvesse mortes numa população, ela cresceria exponencialmente, em virtude do ciclo positivo de realimentação dos nascimentos. Se não houvesse nascimentos, a população declinaria até zero, por causa do ciclo negativo de realimentação das mortes. Uma vez que toda a população verdadeira está sujeita tanto a nascimentos como as mortes, bem como a uma fertilidade e uma mortalidade variáveis, o comportamento dinâmico de populações controladas por estes dois ciclos de realimentação engrenados entre si pode tornar-se bem complicado (Meadows et al., 1972, p.33)
Qual a causa do recente aumento superexponenial da população mundial? Antes da Revolução Industrial, a fertilidade e a mortalidade eram, comparativamente, altas e irregulares. A taxa de natalidade, em geral, superava, apenas levemente a taxa de mortalidade, e a população crescia exponencialmente, mas a uma taxa baixa e irregular.(Meadows et al., 1972, p.33 e35)
Em 1650, a média de duração da vida da maioria das populações no mundo era apenas de cerca de 30 anos. Desde então, a humanidade desenvolveu muitas técnicas que afetaram profundamente o sistema de crescimento da população, especialmente as taxas de mortalidade. Com a difusão da medicina moderna, de técnicas de saúde pública e de novos métodos de produção e distribuição de alimentos, as taxas de mortalidade caíram no mundo inteiro. A probabilidade média mundial de vida é, atualmente, de cerca de 53 anos, e continua aumentando. Em média mundial, o acréscimo ao nível do ciclo positivo de realimentação (fertilidade) decresceu apenas ligeiramente enquanto que o acrescimento ao nível do ciclo negativo de realimentação (mortalidade) continua decrescendo. O resultado é a crescente predominância do ciclo positivo de realimentação determinando o visível cresciemtno exponencial da população (Meadows et al., 1972, p.35)
O que dizer da população do futuro? Como podemos prolongar a curva de população através do século XXI. Teremos mais a dizer sobre isto nos caps 3 e 4. pro enquanto, podemos inferir, sem medo de errar, que devido aos retardamentos nos ciclos de realimentação controladores, especialmente no ciclo positivo de nascientos, não existe possibilidade de se nivelar a curva de crescimento da população antes do ano 2000, mesmo com as hipóteses mais otimistas sobre o decréscimo da fertilidade. Em sua maioria, os futuros pais do ano 2000 já nasceram. A menos que haja um aumento pronunciado da mortalidade, o que a humanidade, sem duvida, tentará impedir por todos os modos, podemos esperar uma população de cerca de 7 bilhoes de habitantes dentro de 30 anos. E, se continuarmos a ter êxito na redução da mortalidade, sem melhores sucessos na redução da fertilidade, que os obtidos no passado, em 60 anos haverá 4 pessoas no mundo para cada pessoa que vive hoje (Meadows et al., 1972, p.35)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

LImites do crescimento: Clube de Roma - capítulo 1

1. A NATUREZA DO CRESCIMENTO EXPONENCIAL
Atualmente achamos que ter cinco filhos não é demais; e cada filho também produz cinco filhos, e antes da morte do avô já serão 25 os descendentes. Logo, a população aumenta e a riqueza diminui; o povo trabalha com afinco e recebe pouco
Han Fri-Tzu, c.500 a.C (in p.25)


Todos os cinco elementos básicos para o estudo apresentado aqui - população, produção de alimentos, industrialização, poluição e consumo de riquezas naturais não renováveis – estão aumentando/ o montante do seu crescimento anual segue um padrão que os matemáticos chamam de crescimento exponencial..(Meadows et al, 1972, p.23)
Quase todas as atividades correntes da humanidade, desde o emprego de fertilizantes até a expansão das cidades, podem ser representadas por curvas de crescimento exponencial. Vamos ver as suas características gerais (Meadows et al, 1972, P.23)

A matemática do crescimento exponencial
A maioria das pessoas está acostumada a pensar em crescimento como um processo linear. Uma quantidade cresce linearmente quando seu aumento é constante em um período constante de tempo (Meadows et al, 1972, p.23).
Uma quantidade apresenta crescimento exponencial quando cresce a uma percentagem constante do total, em um período constante de tempo, continuamente à medida que aumenta o montante acumulado. Tal crescimento exponencial é um processo comum nos sistemas biológico e financeiro e em muitos outros sistemas existentes no mundo (Meadows et al, 1972, p.25)
Embora comumente observado, o crescimento exponencial pode traduzir resultados surpreendentes. Diz uma velha lenda persa que um inteligente cortesão fez presente ao rei de um tabuleiro xadrez e pediu ao monarca que, em retribuição, lhe desse um grão de arroz para o primeiro quadrado do tabuleiro, dois para o segundo, quatro para o terceiro e assim por diante. Concordou prontamente o rei, e ordenou que trouxessem arroz dos seus celeiros. O quarto quadrado do tabuleiro exigiu 8 grãos, o décimo 512, o décimo quinto 16.384 e o vigésimo primeiro deu ao cortesão mais de um milhão de grãos de arroz. Lá pelo quadragésimo quadrado, um trilhão de grãos teve que ser trazido dos celeiros. Todo o suprimento de arroz do rei já se esgotara muito antes de ter sido atingido o sexagésimo quarto quadrado. O crescimento exponencial é enganador porque introduz números incríveis com muita rapidez (Meadows et al, 1972, p.25)
É útil pensarmos em crescimento exponencial em termos de tempo de duplicação ou o tempo que leva uma quantidade em crescimento para dobrar de tamanho. Uma soma de dinheiro depositada em um banco a juros de 7%, duplicará em 10 anos. Há uma relação simples entre a taxa de juros, ou o índice de crescimento. E o tepo que leva uma quantidade para duplicar em tamanho. O tempo de duplicação é aproximadamente igual a 70 dividido pelo índice de crescimento, como ilustrado na tabela 01.

Tabela 1. Período de duplicação
Taxa de crescimento (% anual)......... tempo de duplicação (em anos)
o,1 ............................................................... 700
o,5 ...............................................................140
1,0 .............. ..................................................70
2,0 .................................................................35
4,0 ................................................................ 18
5,0 .................................................................14
7,0 ......... ...................................................... 10
10,0 .............................................................. 07
Fonte: Meadows et.al.(1972, p.27).

Modelos e crescimento exponencial
O crescimento exponencial é um fenômeno dinâmico, isto é, envolve elementos que mudam durante um período de tempo. Em um sistema simples, como conta bancária ou o lago de nenúfares, a causa do crescimento exponencial é fácil de ser entendido. Contudo, quando muitas quantidades diferentes crescem simultaneamente em um sistema e quando todas elas se correlacionam de maneira complicada, a análise das causas do crescimento e do comportamento futuro do sistema torna-se realmente muito difícil (Meadows et al, 1972, p.27)
Será que o crescimento da população causa a industrialização ou o contrário, é a industrialização que determina o crescimento da população? Será que qualquer um destes elemetnos é responsável, individualmente, pelo aumento da poluição ou ambos são responsáveis? Da maior produção de alimentos resultara um população mair? Se qualquer um destes elementos crescer mais lentamente, ou com maior rapidez, o que acontecerá com os índices de crescimento de todos os demais? Estas mesmas questões estão sendo dsicutidas, hoje em dia, em muitas partes do mundo (Meadows et al, 1972, p.27)
No decorrer dos últimos 30 anos,desenvolveu-se no Massachusetts Institute of Technology, um novo método chamado System Dynamics. A base do método é o reconhecimento de que a estrutura de qualquer sistema – as numerosas relações circulares, interligadas e algumas vezes retardada, entre seus componentes - é muitas vezes tão importante na determinação de seu comportamento, quanto os próprios componentes em separado. O modelo descrito neste livro é um modelo de dinâmica de sistemas (Meadows et al, 1972, p.28).
A teoria de modelação dinâmica indica que qualquer quantidade, crescendo exponencialmente, está comprometida, de certo modo, com um ciclo positivo de realimentação. Um ciclo positivo de realimentação é algumas vezes denominado u “circulo vicioso”. Um exemplo disso é a conhecida espiral de salário-preço: os salários aumentam, causando um aumento de preços, que levam a exisgencias de salários mais altos, e assim por diante. Em um ciclo positivo de realimentação uma série de relações de causa e efeito se fecha em si mesma de forma que qualquer elemento, crescendo no ciclo iniciará uma seqüência de mudanças que resultarão num acréscimo ainda maior do elemento originalmente aumentado (Meadows et al, 1972, p.28).
O ciclo positivo de realimentação responsável pelo crescimento exponencial de dinheiro numa conta bancária pode ser representado da seguinte forma (Meadows et al, 1972, p.28):
Suponhamos que 100 dólares são depositados na conta bancária. Os juros do primeiro ano são 7% sobre 100 dólares, ou seja, 7 dólares que são somados à conta, perfazendo um total de 107 dólares. Os juros do ano seguinte são 7% sobre 107 dólares, ou 7,49 que perfazem um total de 114,49 dólares. Quanto mais dinheiro houver na conta, mais será acrescentado, cada ano, em juros. E quanto mais for acrescentado, mais haverá na conta no ano seguinte, fazendo com que mais ainda seja adicionado em juros. E assim por diante. À medida que percorremos o ciclo, o dinheiro acumulado na conta bancária cresce exponencialmente a taxa constante de juros (a 7%) determina o lucro no percurso do ciclo, isto é, a taxa à qual cresce a cnta bancária (Meadows et al, 1972, p.29)
Podemos começar nossa analise dinâmica da situação mundial a longo prazo, procurando os ciclos positivos de realimentação que são fundamentais para o crescimento exponencial nas cinco quantidades físicas mencionadas. Em particular, os índices de crescimento de dois destes elementos - população e industrialização - são de interesse, uma vez que o alvo de muitas políticas de desenvolvimento é encorajar o crescimento da segunda em relação à primeira. Teoricamente, os dois ciclos positivos básicos de realimentação, responsáveis, pelo crescimento exponencial da população e da industria são simples. As muitas conexões entre estes dois ciclos positivos de realimentação exercem influencia na ampliação ou diminuição da ação dos ciclos, ou na conjugação ou não das taxas de crescimento da população com as da industria. Estas conexões constituem o restante do modelo do mundo e sua descrição ocupará a maior parte do que ainda falta para ser abordado neste livro (Meadows et al, 1972, p.29).

domingo, 28 de junho de 2009

Limites do crescimento: Clube de Roma - Prefácio e Introdução

Vou reproduzir, com números de páginas, os capitulos do livro Limites do crescimento

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: MEADOWS, Donella H; MEADOWS, Dennis L.; RANDERS, Jørgen; BEHRENS III, William W. – Limites do crescimento, SP: Editora Perspectiva AS, 1973.

O livro original foi publicado em 1972.

PREFÁCIO

O Clube de Roma nasceu, em abril de 1968, em um encontro de trinta pessoas de dez países. Esse grupo era formado por cientistas, educadores, economistas, humanistas, industriais e funcionários públicos de nível nacional e internacional. Eles se reuniram na Academia dei Lincei, em Roma – Itália instados pelo Dr. Aurélio Peccei, empresário e economista, para discutir os dilemas atuais e futuros do homem. (P.9)

O CLUBE DE ROMA

Deste encontro nasceu o Clube de Roma, uma organização informal, descrita com muita propriedade, como um “colégio invisível”. Suas finalidades são promover o entendimento dos componentes variados, mas interdependentes – econômicos, políticos, naturais e sociais – que formam o sistema global em que vivemos; chamar a atenção dos que são responsáveis por decisões de alto alcance, e do público do mundo inteiro, para aquele novo modo de entender, e, assim, promover novas iniciativas e planos de ação.

O Clube de Roma continua sendo uma associação informal e internacional, com um quadro de associaoes de vinte e cinco nacionalidades. Nenhum de seus membros ocupa cargos eletivos e o grupo não procura expressar qualquer ponto de vista particular, seja ideológico, político ou nacional. Contudo, todos estão unidos pela profunda convicção de que os grandes problemas que desafiam a humanidade são de tanta complexidade e os planos de ação tradicionais já não são capazes de superá-los, nem mesmo de enfrentá-los em seu conjunto.

A formação dos membros é variada, portanto. Citam-se o Dr. Aurélio Peccei, que é associado à Fiat e à Olivetti e administra uma firma consultora para o Desenvolvimento Econômica e de Engenharia, a Italconsult.; Hugo Thiemann, chefe do Battelle Institute em Genebra; Saburo Okita, chefe do Japan Economic Research e mais 15 membros do MIT (dentre eles, os doutores Dennis L Meadows, como diretor; Peter Milling, com estudos do capital; Roger F. Naill e William W. Behrens III sobre reservas; Farhard Hakimzadeh, Donella H. Meadows e Nirmala S. Murthy sobre população; Jay M. Anderson, Alison A. Anderson e Jorgen Randers sobre poluição; dentre outros)

O PROJETO SOBRE O DILEMA DA HUMANIDADE

O objetivo do Clube de Roma, hoje uma ONG e na época uma organização informal, era examinar o complexo de problemas, que afligem os povos de todas as nações, como a pobreza em meio à abundância; perda de confiança nas instituições; expansão urbana descontrolada; insegurança de emprego; alienação e outros transtornos econômicos e monetários. Estes elementos, aparentemente, divergentes da “problemática mundial” têm três características em comum: ocorrem até certo ponto em todas as sociedades; contém elementos técnicos, econômicos e políticos; e, o que é mais importante, atuam uns sobre os outros (Meadows et al, 1972, p. 11)

O dilema da humanidade é que o homem pode perceber a problemática e, no entanto, apesar de seu considerável conhecimento e habilidades, ele não compreende as origens, o significado e as correlações de seus vários componentes e, assim, é incapaz de planejar soluções eficazes. Fracasso que ocorre, em grande parte, porque continuamos a examinar elementos isolados na problemática, sem compreender que o todo é maior do que suas partes; que a mudança em um dos elementos significa mudança nos demais (idem, 1972, p.11)

A fase um do projeto sobre o dilema da humanidade convretizou-se, definitivamente, nos encontros mantidos no verão de 1970 em Berna, Suíça, e em Cambridge, Estado de Massachusetts. Em uma conferencia de duas semanas, em Cambridge, o Prof. Jay Forreste, do Massachusetts Institute of Technology (MIT) apresentou um modelo global que permitiu a identificação nitida de muitos compnentes especificiso da problemática e sugeriu uma técnica para analisar o comportamento e as relações dos mais importantes componentes. A apresentação levou ao começo da Fase Um do Projeto no MIT, onde o trabalho pioneiro do Prof. Forrester e de outros, no campo das Dinâmicas de Sistema, já havia cirado u grupo de especialistas excepcionalmente adequado às exigências da pesquisa (pag.11).

O estudo da Fase Um foi dirigido por uma equipe internacional sob a direção do Porf. Dennis Meadows, com o apoio financeiro da Volkswagen Foundation. A equipe examinou os cinco fatores básicos que determinam e, por conseguinte, em última análise limitam o crescimento em nosso planeta – população, produção agrícola, recursos naturais, produção industrial e poluição. A pesquisa já está terminada. Este livro é o primeiro relato dos resultados, e é editado para o público em geral (pág.11-12).

Um desafio global
É com autentico orgulho e prazer que a Associação Potomac associa-se ao Clube de Roma e ao grupo de pesquisas do MIT na publicação de Limites do Crescimento.

Assim como o Clube de Roma, somos uma organização jovem e acreditamos que os objetivos do Clube são muito semelhantes aos nossos. Nosso propósito é chamar a atenção de todos aqueles que se interessam pela qualidade e direção de nossa viagem e ajudam a dirigi-la, para novas idéias, novos métodos de analise e novos modos de abordar persistentes problemas nacionais e internacionais. Por isso, estamos felizes de poder tornar acessível, através de nosso programa de publicações, este trabalho ousado e magnífico.

Esperamos que Limites do Crescimento desperte a atenção crítica e suscite debate em todas as sociedades. Esperamos que ele estimule caa leitor a pensar nas conseqüências de uma prolongada equação entre crescimento e progresso. E esperamos que ele leve mulheres e homens sérios, em todos os ramos de atividades, a considerarem a necessidade de uma ação conjunta, agora, se quisermos preservar para nós e para nossos filhos a habitabilidade deste planeta.


William Watts
Presidente da Associação Potomac (pág.12).